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Tecnologia transforma lixo plástico em filamentos para impressoras 3D

Mais de 300 milhões de toneladas de plástico são produzidas globalmente a cada ano. Por outro lado, estima-se que 15 milhões de pessoas no mundo fazem coleta de lixo ganhando menos de um dólar por dia.

A Protoprint, fundada em 2012, está tentando transformar o mundo e já conseguiu mudar a vida de alguns catadores. A iniciativa é estruturada como uma empresa social voltada para capacitar comunidades de recicladores, fornecendo-lhes tecnologia de baixo custo para produzir filamentos de impressoras 3D a partir do plástico usado. A empresa ajudou a criar a cooperativa, a SwaCH, em Puna, Índia*. Lá eles transformam resíduos plásticos em filamentos, como é chamada a “tinta” para as impressoras 3D um mercado com previsão de forte crescimento até 2021.

Como este grande mercado de filamentos é feito de plástico virgem — com custos de produção e exportação inviáveis para alguns mercados — o objetivo é promover a padronização do filamento feito com o plástico coletado pelos trabalhadores. Por isso, em paralelo, a instituição  caridade britânica TechforTrade está trabalhando para promover e padronizar uma forma de filamento a ser feita a partir do plástico coletado pelos coletores de lixo.

O modelo criado pela Protoprint é replicável e pode inspirar outros empreendedores em países com problemas de poluição com plásticos

A avaliação social, ambiental e econômica tem muito peso importante na escolha de fornecedores, materiais e insumos. Além de ser denominado “ético” por estar atrelado a uma causa social, o filamento produzido pela cooperativa é mais barato de que o filamento comercial. Além disso, o plástico descartado é livre de custos de produção. O modelo de negócio é escalável e o custo ainda menor  nos países em desenvolvimento.

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Filamentos para impressora 3D da Protoprint é feito de plástico reciclado em cooperativa de catadores na Índia. Foto: Pixabay

 

Os resíduos da produção são de polietileno de alta densidade (HPDE) usado em garrafas de plástico. Depois de transformados em filamentos,  são vendidos para empresas de impressão 3D indianas ou internacionais. O mais importante: o valor pago para a cooperativa é de 300 rúpias (R$ 18) por quilo. Se vendessem os resíduos plásticos diretamente para os comerciantes de sucata, os catadores receberiam cerca de 19 rúpias (poucos centavos de real) por quilo.

O objetivo é comercializar o filamento globalmente como uma alternativa de comércio justo, eticamente produzida para o filamento de plástico virgem com um modelo verticalmente integrado para garantir que a grande maioria dos lucros flua de volta para a comunidade. Atualmente estamos trabalhando em um projeto piloto em parceria com a SWaCH e o National Chemicals Labs para melhorar a qualidade do filamento.

 

 

 

* A SWaCH é um desdobramento da mobilização dos catadores que criaram uma organização sindical que reinvindicavam atuar formalmente na Gestão de Resíduos Sólidos da cidade de Pune. Com 9.000 membros,  80% são mulheres de castas socialmente atrasadas e marginalizadas. Os membros têm acesso a benefício como empréstimos sem juros e apoio educacional para os filhos.

Formação da SWaCH – cooperativa Parceria Público-privada pró-pobres: surge como instituição formal a partir da criação de novas leis que exigiram a separação de resíduos, com coleta de lixo porta a porta e processamento de resíduos em vez de despejo. A iniciativa reuniu dois interesses – o interesse dos catadores em melhorar seus meios de subsistência e o interesse do município em SWM sustentável.

A cooperativa de trabalhadores de propriedade integral como uma Parceria Público-Privada Pró-Pobres para realizar tal trabalho. SWaCH torna-se operacional permitindo que 1.500 catadores se tornassem prestadores de serviços para a coleta de resíduos porta-a-porta de 1,25,000 famílias na cidade de Pune.

Estudos comprovam que a atuação dos catadores ajudaram a economizar recursos públicos na coleta seletiva nas cidades de Pune e Pimpri Chinchwad.

 

Fontes:
The Guardian
SWaCh



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