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O mundo está se unindo para solucionar poluição nos mares

Estudos indicam que, até 2050, neste ritmo que produzimos e consumimos plástico, haverá mais plástico nos oceanos do que peixes. Infelizmente, o mundo ainda não recicla no mesmo ritmo que produz.

Atualmente, já são mais de 300 milhões de toneladas de plástico por ano. E trata-se de um material que demora entre 200 a 400 anos a desaparecer do meio ambiente e a maior parte do lixo acaba indo para o mar.

A boa notícia é que parte do problema tem solução imediata: evitar a produção e o consumo de plástico de uso único e descartáveis (sacolas, copos, pratos e talheres, garrafas, cotonetes, entre outros).

A ONU Meio Ambiente criou a campanha #MaresLimpos para engajar os países a reciclar com metas pra diminuir a poluição nos mares e rios até 2030.

Há esforços para inibir também a produção e o uso de micro-esferas — pequenas partículas de plástico com tamanhos que variam entre 1 e 5 milímetros. Hoje em dia este aditivo é usado em cosméticos, produtos de higiene pessoal e de limpeza.

Estes micro-plásticos têm também origem em tintas industriais e até nas roupas sintéticas que, quando lavadas (ou em decomposição), soltam estas partículas poluidoras.  Por causa de seus tamanhos, mesmo onde há tratamento, não são retidas nas estações e vão para o sistema fluvial desembocando nos mares.

O alerta sobre a produção de consumo de plásticos é geral

Depois de constatada que 70% do lixo plástico da Europa estava indo para o mar, a Comunidade Europeia propôs a proibição da comercialização de produtos de plástico descartáveis de apenas um uso, como cotonetes, canudos pratos, copos e talheres. E propôs como meta que 90% das garrafas plásticas sejam recicladas até 2025, com as fabricantes arcando com custos de gestão e limpeza dos materiais. O mundo quer seguir este exemplo.

A contaminação dos alimentos por plástico 

Pesquisas indicam que três em cada quatro peixes de zonas remotas no Oceano Atlântico tinham microplásticos no estômago e no intestino. E estes fazem parte da dieta alimentar de outros peixes como o atum e o peixe-espada que, ingeridos, trazem os microplásticos para o corpo humano.

Na Inglaterra, de acordo com um estudo belga, as pessoas que comem peixes correm o risco de consumir 11 mil fragmentos de plástico a cada ano. Por isso, ainda que a Organização Mundial da Saúde – OMS informe que não existem pesquisas suficientes para responder quais as consequências para a saúde da ingestão de plástico, a Organizações das Nações Unidas – ONU, declarou que 50 países já estão criando medidas para diminuir a produção de produtos plásticos.

Até mesmo as águas engarrafadas em várias regiões do mundo estão contaminadas com plástico. Das 259 garrafas analisadas, apenas 17 estavam livres do microplástico. Das cerca de 2 mil micropartículas analisadas, 54% eram fragmentos de polipropileno, plástico usado nas tampas das garrafas. Também foram encontrados pedaços de náilon (16%), poliestireno (11%), polietileno (10%), poliéster (6%) e outros plásticos (3%).

Suécia e EUA criam ações para limpeza de oceanos

É fato que apenas seis países asiáticos respondem por quase 60% de todo o plástico descartado nos oceanos. O governo da Suécia e a ONU Meio Ambiente anunciaram em setembro, em Bangkok, uma parceria com países do Sudeste Asiático para combater a poluição da natureza por lixo plástico. 

Nos Estados Unidos, o presidente convocou outras nações, incluindo China e Japão, para exigir que estes países realizem gestão de resíduos e “parem de transformar oceanos em seus aterros sanitários” já que parte do lixo vem para a costa oeste americana. Por isso, Trump assinou a lei Save Our Sea que financia um programa de limpeza dos oceanos até 2022.

Garrafas PET poluição

Garrafas PET, umas das principais vilãs de produtos de uso único

A cidade de São Francisco, na Califórnia – EUA, foi a primeira cidade do mundo a proibir garrafas plásticas com menos de 600 ml. Só nos EUA, 17 milhões de barris de petróleo são usados todos os anos para produzir bilhões de garrafas PET, das quais menos de 30% são recicladas.

A Santa Luzia Redes e Decoração, autora deste blog de sustentabilidade,  orgulha-se em produzir produtos têxteis para decoração com fios de algodão reciclado e garrafas PET recicladas. Estamos alinhados à proposta de economia circular, contribuindo com a reinserção de resíduos de algodão e de garrafas plásticas  — contribuição os resíduos do planeta.

Países já proíbem produção de microesferas de plástico 

Os EUA aprovou em 2015 a “Lei das Águas Livres de Microesferas” proibindo as empresas de fabricar ou usar estes microplásticos em produtos de saúde e beleza. A produção de cosméticos entre outros produtos com micro-esferas também está proibida na Nova Zelândia. Já a França promulgou em 2017 a Lei de Biodiversidade, proibindo o insumo em produtos cosméticos a partir de janeiro deste ano. A Itália anunciou a proibição a partir de 2020.

No Reino Unido a medida está em vigor desde 2015 e, segundo a Associação Britânica de Fabricantes de Cosméticos, Perfumes e Produtos de Higiene (CTPA), a medida ajudou na redução de 70% no uso de microesferas de plástico em produtos cosméticos e deve atingir um nível próximo de zero até o final de 2018.

No Brasil está em tramitação o Projeto de Lei mº 6.528/2016 , que “proíbe a manipulação, fabricação, importação e comercialização, em todo o território nacional, de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumaria que contenham a adição intencional de microesferas de plástico”. No Rio de Janeiro já existe uma lei estadual aprovada desde setembro de 2018. 

Canudos de plástico estão sendo banidos de restaurantes

Nos EUA, a Califórnia, tornou-se o primeiro Estado a implementar uma proibição parcial de canudos de plástico. E Seattle o primeiro município americano a acompanhar a decisão. De acordo com a lei, os restaurantes não poderão mais fornecer automaticamente canudos aos clientes. Os clientes terão que solicitá-los.

No Brasil, o município de Cotia, em São Paulo, foi o primeiro a proibir a venda e distribuição de canudos plásticos. A lei, sancionada em 2018, obriga restaurantes, lanchonetes, bares e vendedores ambulantes a usarem e fornecerem a seus clientes somente canudos de papel biodegradável e ou reciclável. O Rio de Janeiro também proibiu o uso de canudos plásticos em estabelecimentos a partir deste ano.

A proibição de canudos de plástico foi recebida com alguma controvérsia. Pessoas com deficiência dizem que não têm condições de beber facilmente sem canudos.  O canudo de plástico não é tão duro a ponto de machucar, nem tão macio a ponto de rasgar ou grudar. Neste sentido, trata-se de uma oportunidade de desafio para empreendedores inovadores: buscar opções que possam ser usadas por todas as pessoas.

O fim das sacolas plásticas nas lojas e supermercados 

Foi Bangladesh o país pioneiro na proibição de sacolas plásticas. Em 2002, a cidade baniu do comércio as sacolas plásticas que entupiam os bueiros. Em 1998 a capital, Dacca, já descartava 9,3 milhões de sacos plásticos todos os dias. Isso foi a principal causa de duas trágicas inundações que dizimaram em 2/3 da população do país.

Na América Latina, o Chile foi pioneira ao banir sacola plástica. Outras  iniciativas são localizadas como Buenos Aires, que proibiu sacolinhas desde 2008. No Brasil, há Lei Municipal em São Paulo e Rio de Janeiro proibindo distribuição de sacolas feitas com plásticos derivados de petróleo. Apenas biodegradáveis podem ser entregues gratuitamente ou vendidas nos estabelecimentos comerciais.

Em 2016 a Associação Paulista de Supermercados relatou que houve uma redução de 70% nas embalagens plásticas da cidade de São Paulo. 

Em 2010 na Cidade do México e, em São Francisco, nos EUA, as sacolinhas foram proibidas em 2007 e o impacto foi até medido: houve uma redução de 3 mil litros de petróleo por ano.

Na Europa, a Itália foi o primeiro país a banir as sacolinhas. Em 2011 o país era o maior consumidor de sacolinhas: 20 bilhões por ano. A França baniu as sacolas em 2016. E recentemente decidiu proibir a produção e o consumo de talheres, pratos e copos descartáveis até 2020.

Na África, as sacolas de plástico estão proibidas no Quênia, em Ruanda e na África do Sul. No noroeste da África, a Mauritânia proibiu a comercialização das sacolas plásticas pelo país quando constataram que 70% das mortes de animais como bois e ovelhas aconteceram pela ingestão de plástico.

Algumas cidades na Índia proibiram a distribuição de sacolinhas plásticas desde 2010 para preservar os animais. A China baniu as sacolas em 2008 gerando economia de 4,8 milhões de toneladas de petróleo.

Fontes:

National Geographic

BBC news

Menos 1 lixo

DW.com



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