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Bioplásticos para embalagens: uma alternativa ao uso petróleo

O mundo não suporta mais a quantidade de residuo causada pela embalagem descartável. Há varios países da União Europeia comprometidos com o fim deste produto. Até 2020 a França tem como objetivo ser o primeiro país a diminuir o uso das embalagens descartável. A meta é reduzir 65% até 2025.

Tudo porque os produtos derivados de petróleo, recurso fóssil não renovável, é altamente poluente. Somente na França são descartadas 150 garrafas PET por segundo e o país recicla somente 1% do plástico que produz. O problema é que a ciência e a tecnologia ainda trabalham para resolver este problema de poluição ambiental. A boa noticia é que já há algumas empresas que fornecem alternativas e pesquisas promissoras de bioplásticos feitos com plantas, algas entre outros vegetais.

Embalagens de Bioplástico

A demanda é por embalagens feitas com materias biológicos, mas que tenha custo acessível às indústrias.

O bioplástico possui propriedades semelhantes ao plástico convencional PET. O poliácido láctico – polihidroxialcanoato (PLA) é feito de milho, mandioca, cana-de-açúcar ou óleo vegetal. Mas há empresas usando outros alimentos como a Biofase, que está convertendo 15.000 toneladas de sementes de abacate em produtos descartáveis biodegradáveis todos os dias. Ela transforma o caroço em bioplástico em talheres e canudinhos.

A empresa Nupik fabrica e comercializa copos e pratos que se degradam por completo. O ponto negativo é que o material ainda não suporta o calor. Acima de 40 graus começa a se deformar. Não dá para ser usado para servir café, por exemplo, porque estes são servidos a 60 ou 70 graus.Além disso, estas embalagens custam de 50% a 100% mais do que as que se fabricam com derivados do petróleo.

O material da Nupik serve para sanduíches ou outros alimentos de vida curta, porque ainda não são eficazes para conter os gases como os plásticos convencionais. Não serve para embalar carnes ou outros produtos mais sensíveis ao oxigênio. Neste caso, ainda não são tão eficazes com os gases produzidos por este tipo de alimento comparados ao plástico convencional.

Quem pode dominar este mercado de descartáveis biodegradáveis é a Biofase que transforma caroços de abacate em canudos, talheres e embalagens. De acordo com a empresa, seus produtos se degradam após 240 dias. A proposta é tida com vantagem competitiva porque usa como base um resíduo alimentar (caroço) e não o alimento em si (mandioca, milho) como em outras propostas de bioplásticos já citados.

O Instituto Tecnologico del Embalaje Transporte y Logistica (ITENE) está evoluindo no desenvolvendo bandejas para frango, garrafa para água e embalagem para mel feitas com PLA com um aditivo para que suportem um ciclo mais longo de distribuição — mantendo intacta as propriedades do produto.

Pesquisas no Brasil para a produção de embalagens biodegradáveis apresentam soluções avançadas como o bioplástico ativo e inteliente

No Brasil, na Universidade de São Paulo (USP) está em desenvolvimento pesquisas de embalagens biodegradáveis para alimentos feitas com matérias-primas de origem vegetal e resíduos agroindustriais. As embalagens são também ativas e inteligentes porque possuem substâncias capazes de interagir com o alimento para prolongar sua vida de prateleira. As embalagens inteligentes têm mecanismos que possibilitam detectar processos de deterioração, oscilações de temperatura sofridas no armazenamento ou até indicar, pela mudança da cor, se uma fruta está madura para o consumo.

A pesquisa da USP está adiantada porque já superou o principal desafio para tornar o produto viável industrialmente, que é impedir que a matéria-prima se degrade ao entrar em contato com as altas temperaturas que ocorrem no processo de extrusão nas fábricas.

Bioplastico desenvolvido pela USP

A pesquisa com o objetivo de encontrar matérias-primas biodegradáveis que possibilitem substituir o plástico de origem fóssil na produção de embalagens e filmes já tem mais de uma década. Os estudos com embalagens têm financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o respaldo do FoRC.

Fontes:

Asociación Española de Plásticos Biodegradables Compostables (Asobiocom)

Universidade de São Paulo – Jornal da USP



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