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Paisagem urbana deve ser planejada para criar lugares saudáveis

Existe uma tradição que liga a paisagem, a arquitetura e a saúde pública. Os parques vitorianos da Inglaterra foram estabelecidos para garantir pausa e ar fresco nas áreas urbanas; nos subúrbios arborizados houve planejamento para melhorar sensação de bem-estar dos moradores; outro exemplo importante é o parque Emerald Necklace, em Boston, EUA, projetado melhorar a qualidade da água e reduzir o número de mortes por cólera.

As paisagens urbanas, vistas há muito tempo como locais de prazer e relaxamento, tem uma função mais explícita: causa efeitos positivos na nossa saúde e bem-estar.

Preocupações crescentes com a saúde pública e o custo do tratamento de doenças como obesidade, doenças cardíacas, diabetes e doenças mentais, torna esta pauta da paisagem urbana bastante necessária e importante. De acordo com um estudo de 2012 realizado por Associação Canadense de Saúde Pública, custa 27 vezes mais para alcançar uma redução da mortalidade cardiovascular através de intervenções urbanas do que para obter o mesmo resultado através de gastos locais em saúde pública.

Por isso, o Landscape Institute elaborou um documento público para que profissionais de saúde, planejadores e arquitetos paisagistas tenham a compreensão do papel contemporâneo que a paisagem desempenha no criação de lugares saudáveis. Com apresentação de 22 projetos, o documento indica cinco princípios que capturar os vínculos positivos entre paisagem e saúde.

Princípio 1. Locais saudáveis melhoram a qualidade do ar, da água e do solo,

incorporar medidas que nos ajudem a se adaptar e reduzir os impactos da mudança climática.

Ar, água e solo são os blocos de construção da nossa vida natural como um sistema de suporte. Nós já sabemos que a vegetação reduz a poluição do ar e que árvores são imprescindíveis porque minimizam os efeitos das ilhas de calor. O fenômeno já são um problema nas grandes cidades.

Pesquisa realizada em Xangai em 2010 revelou que o impacto das ondas de calor é aumentado pelo efeito ilha de calor. Ao examinar as taxas de mortalidade no verão em 11 áreas urbanas e áreas suburbanas de Xangai, o relatório concluiu que o efeito da ilha de calor urbano é diretamente responsável por aumento da mortalidade dos seus habitantes.

Princípio 2. Lugares saudáveis ajudam a superar as desigualdades na saúde e podem promover estilos de vida saudáveis

A necessidade de reduzir as desigualdades na saúde é uma grande preocupação para governos e profissionais de saúde pública no mundo todo.

A obesidade e o excesso de peso é destacada porque tem implicações significativas para saúde e para a Economia já que aumentam o risco de doenças cardíacas, diabetes e câncer, levando ao aumento demanda por serviços de assistência de saúde.

Na Inglaterra, estudos evidenciam que a obesidade está ligada ao status socioeconômico. O relatório do Office Governament for Science de 2007 discute os vínculos complexos entre obesidade e ambientes em que as pessoas vivem.  Na Inglaterra 15% da população vive nas áreas mais carentes, privadas de jardins e parques públicos. Além disso, 2,5 milhões de habitações são afetadas por tráfego intenso e estacionamento; e 1 milhão de moradias edifícios mal conservados ou negligenciados.

Melhorar a qualidade de vida — criando ambientes tranquilos que promovem atividade física e convívio nestas áreas — aumentam as oportunidades de engajamento social, incentivando assim o bem-estar e a sensação de segurança. A sugestão é criar espaços nos bairros que incentivem diferentes faixas etárias a interagirem.

Princípio 3. Locais saudáveis fazem as pessoas se sentirem confortáveis e à vontade, aumentando a interação social e reduzindo as medidas antissociais comportamento, isolamento e estresse.

Um estudo em Chicago revelou que o crime é reduzido significativamente pela presença de vegetação porque a vegetação aumenta positivamente a interação social, proporcionando vigilância natural e promovendo efeito calmante. É importante notar que a vegetação não restringia a visibilidade – composição de árvores e grama.

Para a saúde há evidências que a presença de vegetação e superfícies macias como no caso de gramas, ajudam a reduzir o ruído urbano reduzindo o reflexo das ondas sonoras — o que impacta no verdadeiro relaxamento. Há um estudo sueco que revelou que quanto mais pessoas visitavam espaço verde, menos relataram doenças relacionadas ao estresse. Importante: a distância dos espaços verdes era crucial para a quantidade que eles foram utilizados.

Um estudo americano de 2007 indica que conectar paisagem, saúde e local de trabalho ajuda no desempenho. O incentivo à atividade trouxe benefícios para as empresas como redução nos pedidos de licença médica e aumento da lealdade dos funcionários.  O relatório examinou 20 estudos de caso de empresas que aumentaram as oportunidades para os funcionários exercício físico. Em resumo, todos viram reduções de faltas devido a doença e queda na rotatividade de pessoal.

Princípio 4. Lugares saudáveis otimizam o desenvolvimento de crianças e ajudam na oportunidade de trabalho para adultos

O contato com a natureza pode melhorar o desenvolvimento pessoal de crianças e adultos. Uma série de pesquisas sobre as maneiras pelas quais a educação das crianças pode ser aprimorada. Dois relatórios publicados em 2007 enfatizaram que os espaços de recreação deveriam ser projetado para permitir que crianças de diferentes idades brinquem juntas. Sob supervisão, claro, já que o risco bullying precisa ser levado em consideração. O programa Escolas Florestais é baseado em

Modelo escandinavo que promove o contato entre crianças e natureza. Uma avaliação das Escolas Florestais constatou que o programa contribuiu para que as crianças desenvolvessem maior conhecimento, compreensão, confiança, concentração, habilidades sociais, motivação e habilidades físicas.  

Sobre os adultos, há evidências de que as pessoas estão menos doentes e permanecem mais tempo em seus empregos se fazem exercício físico ao ar livre.

Princípio 5. Lugares saudáveis são restauradores, estimulantes e curativos para condições de saúde física e mental

Fornecer acesso a plantas, jardins e natureza melhora a cura quando as pessoas estão doentes ou se recuperando de intervenções médicas. Em 1984, um artigo de Roger Ulrich relatou que a vista de uma janela pode influenciar a maneira como as pessoas se recuperam de cirurgia. Desde então, Ulrich e muitos outros continuaram explorando o impacto que o acesso à paisagem e à natureza tem no processo de cicatrização.

Um estudo realizado com 108 pessoas com variadas condições mentais mostra como reagiram ao exercício de atividades naturais. Quase 90% das pessoas que participaram disseram que fazer exercício físico ao ar livre em ambiente natural era importante ou muito importante para determinar como eles se sentiam. Mais recentemente, outro relatório demonstrou que a interação com a natureza pode proporcionar cognição e benefícios afetivos para pessoas que sofrem de depressão.

Para ver o estudo completo da Landscape Studio baixe neste link.

https://landscapewpstorage01.blob.core.windows.net/www-landscapeinstitute-org/migrated-legacy/PublicHealthandLandscape_CreatingHealthyPlaces_FINAL.pdf

Crédito infográfico

The Settlement Health Map (Barton and Grant 2006) is developed from a concept by Dahlgren and Whitehead first published in 1991

Crédito fotos:
Landscape Institute



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